27/11/2025

A cadeia e os covardes

Foi humilhante para os chilenos quando o torturador e assassino genocida, General Augusto Pinochet, então preso na Inglaterra por conta de uma condenação do Tribunal Internacional pelos seus crimes contra a humanidade. O "valente" Pinochet era uma caricatura da sua própria figura austera, intolerante e corajosa, imagem que construiu ao longo de uma ditadura sangrenta que ceifou milhares de vidas, não sem antes serem torturadas e sofrerem suplícios inomináveis que fariam o próprio diabo sentir náuseas.

O mundo estava estarrecido com aquele idoso numa cadeira de rodas, absolutamente frágil, humilhado, tomando soro e usando fraldas. Um velhinho vulnerável que pedia perdão pelos "erros" cometidos no passado e agora suplicava pela compreensão das pessoas, implorava, aos prantos, diante das câmeras de TV do mundo todo, pedindo para ir morrer no seu país. 

Pois os juízes que o haviam mandar prender, aceitaram liberar aquele rastejante implorativo, para que fosse morrer com dignidade em seu país, o Chile.

Transportado num vôo militar inglês, embarcou e passou as 15 horas que demoraram para cruzar o Atlântico e o maciço da Cordilheira dos Andes, sentado numa cadeira de rodas. Porém, havia guardado uma surpresa o "valente" general. No exato momento em que desembarcou empurrado na cadeira de rodas, o pequeno militar saltou e, com os dois pés no chão, caminhando perfeitamente, acenava para seus seguidores que o aguardavam no aeroporto, que vibravam pela "esperteza" do velho general. Um vexame.

Durante a ditadura argentina, assassinos e torturadores estenderam suas ações para o roubo e estelionato. Torturaram, mataram e deram sumiço em mais de 30 mil argentinos. Sumiram com corpos, alguns jogados ao mar em voos noturno clandestinos. Roubaram carros e imóveis dos assassinados. Sequestraram bebês de mulheres torturadas que pariram no cárcere, deram e venderam estas crianças que representam um troféu da indignidade. Chegaram ao ponto de abri briques e lojinhas para vender roupas roubadas de vítimas. 

Pois existiu um bandido que superou os limites, auto-intitulado o "Anjo Loiro da Morte" o Tenente Astiz torturava, matava e dava entrevistas, sem o menor pudor ou sequer um gesto de piedade, torturou crianças na frente das mães, arrancou membros de pessoas ainda vivas e as queimou dentro de fornos industriais emprestados por empresários que o apoiaram. Ele afirmava que estava acima de Deus pois a própria divindade se aparecessa no porão, "entraria para o laço" como gostava de dizer às gargalhadas.

Este animal, besta-fera, era o comandante operacional de uma das ilhas do arquipélago das Malvinas durante a guerra com a Inglaterra na disputa daquele pedaço do mundo. E o "valente comandante", o Anjo Loiro da Morte, o Tenente Astiz, ao saber que haviam desembarcados pelos ingleses, os guerreiros Gurkas, com a ordem de capturar a ilhota, rendeu-se, se dar um tiro sequer. Os Gurkas o encontraram debaixo da cama do seu aposento, chorando como criança, e suas mãos tremiam tanto, que mal conseguiu assinar o termo de rendição. 

É... são muito covardes os valentes. A cadeia assusta. 

Não vou postar fotos dos "valentes" para não encher a bola deles. Mas estou impressionado com a "valentia" do Bozonaro e sua turma. 

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